3° Trimestre 2026 · CPAD · Lição 7

O Fim da Liderança de Gideão e o Governo de Abimeleque

Fidelidade às Escrituras em Oposição à Apostasia — Lições Espirituais no Livro de Juízes

"Então, se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém e toda Bete-Milo; e foram e levantaram a Abimeleque como rei, junto ao carvalho alto que está perto de Siquém."

"Então, todos os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo reuniram-se ao lado do Carvalho, junto à coluna de Siquém, para coroar Abimeleque rei."

Juízes 9.6
Resumo da Lição

A liderança cristã deve ser exercida em constante vigilância, para que os líderes não sejam seduzidos pelo orgulho e pelo poder.

GLOSSÁRIO

Conceitos Fundamentais

Éfode
Vestimenta sagrada litúrgica, originalmente exclusiva do sumo sacerdote de Israel no Tabernáculo, confeccionada em ouro, linho fino torcido e fios azuis, púrpura e carmesim (Êx 28.6-14).
Uma peça de roupa que só o sumo sacerdote podia usar — Gideão mandou fazer uma para si mesmo, criando sem querer um centro de adoração paralelo que virou idolatria.
Chamado Divino (Vocação)
Designação soberana de Deus que capacita e legitima alguém para exercer liderança espiritual ou política sobre o seu povo, distinta de qualquer mérito ou conquista humana.
Não é a pessoa que se autoproclama líder — é Deus quem escolhe e capacita. Abimeleque nunca teve esse chamado; ele tomou o poder à força.
Parábola (Bíblica)
Narrativa figurada e didática usada para ilustrar uma verdade espiritual ou moral por meio de comparação com elementos concretos e familiares.
Uma "historinha com moral" — Jotão usou árvores conversando entre si para denunciar, de forma indireta e inteligente, a coroação injusta de Abimeleque.
Mercenário (Pastor Mercenário)
No vocabulário bíblico, o cuidador contratado que trabalha por salário e sem vínculo real com o rebanho, abandonando-o diante do perigo por não se importar genuinamente com ele (Jo 10.12,13).
Um "chefe de aluguel" — está ali pelo que ganha, não pelo que ama; foge assim que aparece dificuldade, porque nunca se importou de verdade.
Liderança Populista / Usurpação de Poder
Estratégia de ascensão ao poder baseada em discurso persuasivo, recursos financeiros e apoio de grupos marginais, sem legitimidade divina ou institucional.
Chegar ao poder "no jogo de cintura" — convencendo, pagando e recrutando gente disposta a tudo, em vez de ser chamado e preparado por Deus.
OBJETIVOS

O que aprenderemos

LEITURA

Leitura Semanal

Segunda-feira
Sl 139.23
Sonda-me, ó Deus
O salmista pede a Deus que sonde seu coração — o mesmo exame de motivações proposto na Orientação Pedagógica desta lição, diante dos riscos do orgulho na liderança.
RA
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
NVI
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações.
Terça-feira
1 Co 16.13
Sejam vigilantes
Paulo exorta os coríntios a vigiar e se manterem firmes na fé — o oposto exato da negligência espiritual que marcou os últimos anos de liderança de Gideão.
RA
Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes.
NVI
Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam corajosos, sejam fortes.
Quarta-feira
1 Co 10.12
Cuide para que não caia
O apóstolo adverte que quem julga estar firme deve cuidar para não cair — princípio citado diretamente no tópico "Os perigos da liderança" desta lição.
RA
Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia.
NVI
Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!
Quinta-feira
Pv 16.18
A soberba precede a ruína
Este provérbio clássico sobre soberba e queda é citado explicitamente na lição como um dos riscos que cercam todo exercício de liderança.
RA
A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.
NVI
A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.
Sexta-feira
1 Pe 5.2,3
Não cuide do rebanho com má vontade
Pedro instrui os presbíteros a pastorearem sem ganância nem domínio — o contraste direto com o modelo de liderança usurpadora e autointeressada de Abimeleque.
RA
Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.
NVI
Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que foram confiados a vocês, mas como exemplos para o rebanho.
Sábado
Jo 10.12,13
O perigo dos mercenários
Jesus descreve o mercenário que foge diante do lobo por não se importar de verdade com as ovelhas — a mesma imagem usada na lição para explicar o perigo dos "líderes espinheiros".
RA
O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas.
NVI
O assalariado não é o pastor a quem as ovelhas pertencem. Assim, quando vê que o lobo se aproxima, abandona as ovelhas e foge. Então, o lobo ataca as ovelhas e as dispersa. Ele foge porque é assalariado e não se importa com as ovelhas.
Para o Professor Interação

Prezado(a) professor(a), na aula anterior iniciamos o estudo sobre a vida de Gideão, destacando como Deus o encorajou e preparou para ser um grande libertador de Israel. Ele teve seus momentos de falha e fraqueza, mas ainda era o servo do Senhor. Nesta lição, abordaremos a fase final da liderança de Gideão, evidenciando alguns deslizes que revelam sua fragilidade humana. "A história deste juiz ilustra o fato de que os heróis nas grandes batalhas nem sempre são vencedores na vida cotidiana. Gideão liderou Israel, mas não conseguiu governar sua família. Não importa quem você seja, a negligência moral causará problemas. O fato de ter ganho uma batalha não significa que você automaticamente já venceu a próxima. Precisamos estar sempre vigilantes. Algumas vezes os maiores ataques de Satanás acontecem após uma grande vitória." (Bíblia de Aplicação Pessoal, p. 331)

Também estudaremos a trajetória do filho de Gideão, Abimeleque, um homem perverso que buscou poder e glória pessoal, utilizando estratégias ardilosas para conquistar apoio popular. Reflita com seus alunos sobre os perigos que cercam a liderança motivada por ambição e desejo de dominação. Encoraje-os, sempre, a manter a vigilância constante, sobretudo na obra de Deus. Aconselhe-os a guardarem o coração do orgulho e da busca desenfreada por reconhecimento.

Para o Professor Orientação Pedagógica

Prezado(a) professor(a), no exercício da educação cristã é crucial levar o aluno a ser confrontado pela Palavra de Deus, levando-o à autorreflexão. Nesta lição em que estudamos os perigos que cercam o exercício da liderança, propomos um exercício de "sondagem do coração". O salmista escreveu: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos" . Para isso, ao término da aula, conduza com os alunos um momento de reflexão pessoal a fim de avaliarem as motivações de tudo o que fazem. Quais as intenções de fazermos a obra de Deus? É para a glória dEle, realmente? Ou pode haver, lá no fundo, intenções humanas com aparência de piedade?

Deixe-os à vontade para compartilharem, de forma voluntária, seus sentimentos. Conduzir os alunos a essa reflexão sincera é essencial para formar líderes e cristãos conscientes de suas motivações e vulnerabilidades. Construiremos uma geração de líderes comprometidos, não com o poder ou reconhecimento, mas com a fidelidade ao chamado de servir ao Senhor com integridade e amor.

TEXTO

Texto Bíblico — Jz 8.22-24; 9.1-6

Juízes 8
22Então, os homens de Israel disseram a Gideão: Domina sobre nós, tanto tu como teu filho e o filho de teu filho; porquanto nos livraste da mão dos midianitas.
23Porém Gideão lhes disse: Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará.
24E disse-lhes mais Gideão: Uma petição vos farei: dai-me cada um de vós os pendentes do seu despojo (porque tinham pendentes de ouro, porquanto eram ismaelitas).
Juízes 9
1E Abimeleque, filho de Jerubaal, foi-se a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou-lhes e a toda a geração da casa do pai de sua mãe, dizendo:
2Falai, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Qual é melhor para vós: que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vós ou que um homem sobre vós domine? Lembrai-vos também de que sou osso vosso e carne vossa.
3Então, os irmãos de sua mãe falaram acerca dele perante os ouvidos de todos os cidadãos de Siquém todas aquelas palavras; e o coração deles se inclinou para Abimeleque, porque disseram: É nosso irmão.
4E deram-lhe setenta peças de prata, da casa de Baal-Berite; e com elas alugou Abimeleque uns homens ociosos e levianos, que o seguiram.
5E veio à casa de seu pai, a Ofra, e matou os seus irmãos, os filhos de Jerubaal, setenta homens, sobre uma pedra. Porém Jotão, filho menor de Jerubaal, ficou, porque se tinha escondido.
6Então, se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém e toda Bete-Milo; e foram e levantaram a Abimeleque como rei, junto ao carvalho alto que está perto de Siquém.
Juízes 8
22Os israelitas disseram a Gideão: — Reine sobre nós, você, o seu filho e o seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã.
23— Não reinarei sobre vocês — respondeu-lhes Gideão — nem o meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês.
24Ele prosseguiu: — Só faço um pedido: que cada um de vocês me dê um brinco da sua parte dos despojos. (É que os ismaelitas costumavam usar brincos de ouro.)
Juízes 9
1Abimeleque, filho de Jerubaal, foi aos irmãos da sua mãe em Siquém e disse a eles e a todo o clã da família da sua mãe:
2— Perguntem a todos os cidadãos de Siquém o que é melhor para eles, ter todos os setenta filhos de Jerubaal governando sobre eles, ou somente um homem? Lembrem-se de que eu sou sangue do sangue de vocês.
3Os irmãos da sua mãe repetiram tudo aos cidadãos de Siquém, e estes se mostraram propensos a seguir Abimeleque, pois disseram: "Ele é o nosso irmão".
4Deram-lhe setenta peças de prata tiradas do templo de Baal-Berite, as quais Abimeleque usou para contratar alguns desocupados e insolentes, que se tornaram seguidores seus.
5Foi à casa do seu pai em Ofra e matou os seus setenta irmãos, filhos de Jerubaal, sobre uma rocha. Jotão, porém, o filho mais novo de Jerubaal, escondeu-se e escapou.
6Então, todos os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo reuniram-se ao lado do Carvalho, junto à coluna de Siquém, para coroar Abimeleque rei.
INTRO

Introdução

Nesta lição, estudaremos os episódios finais da liderança de Gideão e o turbulento reinado de seu filho Abimeleque. Analisaremos os perigos que cercam o exercício da liderança e a forma como a fragilidade humana pode levar a decisões egoístas, contrárias à vontade de Deus. Também observaremos o mau exemplo de um rei que assumiu o poder de forma ambiciosa e traiçoeira, buscando apenas seus próprios interesses. Que esta lição seja um alerta: não podemos vacilar, mas sim precisamos manter constante vigilância em tudo o que fazemos.

I

As Falhas na Liderança de Gideão

1
Divergências Internas e Vingança

Após a vitória na batalha e o início da perseguição aos reis midianitas Zeba e Salmuna , começaram a surgir tensões internas em Israel. Gideão teve de enfrentar a queixa da tribo de Efraim , que se sentiu preterida, bem como a falta de apoio e de gratidão pelos homens de Sucote e Penuel . Então, depois de capturar os reis inimigos, Gideão cumpriu o que havia prometido: puniu os líderes de Sucote, matando 77 de seus homens, e derrubou a torre de proteção de Penuel, em ação de vingança.

Jz 8.1
RA
Então, os homens de Efraim disseram a Gideão: Que é isto que nos fizeste, que não nos chamaste quando foste pelejar contra os midianitas? E contenderam fortemente com ele.
NVI
Então, os efraimitas perguntaram a Gideão: "Por que você nos tratou dessa forma? Por que não nos chamou quando foi lutar contra Midiã?" Assim, eles o criticaram duramente.
Contexto: A queixa de Efraim revela a primeira fissura interna em Israel logo após a vitória — sinal de que a unidade do povo era frágil mesmo em tempos de sucesso militar.
Jz 8.5-9
RA
E disse aos homens de Sucote: Dai, peço-vos, alguns pães para estes que me seguem, pois estão cansados, e eu vou ao encalço de Zeba e Salmuna, reis dos midianitas. Porém os príncipes de Sucote disseram: Porventura, tens já sob teu poder o punho de Zeba e de Salmuna, para que demos pão ao teu exército? Então, disse Gideão: Por isso, quando o Senhor entregar nas minhas mãos Zeba e Salmuna, trilharei a vossa carne com os espinhos do deserto e com os abrolhos. Dali subiu a Penuel e de igual modo falou a seus homens; estes de Penuel lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido. Pelo que também falou aos homens de Penuel, dizendo: Quando eu voltar em paz, derribarei esta torre.
NVI
Em Sucote, disse aos homens dali: "Peço a vocês um pouco de pão para as minhas tropas; os homens estão cansados, e eu ainda estou perseguindo Zeba e Zalmuna, reis de Midiã." Os líderes de Sucote, porém, disseram: "Ainda não estão em seu poder Zeba e Zalmuna? Por que deveríamos dar pão às suas tropas?" "É assim?", replicou Gideão. "Quando o Senhor entregar Zeba e Zalmuna nas minhas mãos, rasgarei a carne de vocês com espinhos e espinheiros do deserto." Dali subiu a Peniel e fez o mesmo pedido aos homens de Peniel, mas eles responderam como os de Sucote. Aos homens de Peniel, ele disse: "Quando eu voltar triunfante, destruirei esta torre."
Contexto: A recusa de Sucote e Penuel em socorrer as tropas exaustas de Gideão, mesmo durante a perseguição aos inimigos comuns de Israel, evidencia a falta de solidariedade que já corroía o povo antes mesmo do fim da guerra.
2
As Falhas de um Líder

Apesar de ser um grande libertador, Gideão cometeu falhas nos últimos anos de sua liderança. Depois de matar os reis midianitas , o povo de Israel lhe pediu que se tornasse seu rei, instituindo uma dinastia hereditária . Gideão recusou a proposta, afirmando que o Senhor é quem governaria sobre Israel . No entanto, suas atitudes posteriores não refletiram essa declaração: solicitou parte dos despojos de guerra como recompensa, o que o tornou extremamente rico; e mandou confeccionar um éfode e o colocou em sua cidade, Ofra. O éfode era uma vestimenta sagrada, exclusiva do sumo sacerdote no Tabernáculo , que à época se encontrava em Siló . Ao fazer isso, Gideão criou, na prática, um centro rival de adoração. O éfode se tornou objeto de idolatria, levando Israel a se desviar espiritualmente: "todo o Israel prostituiu-se ali após ele; e foi por tropeço a Gideão e à sua casa" . Ainda que essa não tenha sido sua intenção, a atitude de Gideão acabou promovendo a confusão religiosa e o pecado do povo.

Além disso, sua conduta familiar também foi problemática. Gideão teve muitas mulheres e concubinas, com as quais gerou setenta filhos — além de Abimeleque, filho da concubina de Siquém . Essa estrutura familiar desordenada, como veremos, contribuiu diretamente para a crise política e moral posterior, marcada por rivalidades e assassinatos entre seus próprios filhos (Jz 9).

Jz 8.21
RA
Então, disseram Zeba e Salmuna: Levanta-te e arremete contra nós, porque qual o homem, tal a sua valentia. Dispôs-se, pois, Gideão, e matou a Zeba e a Salmuna, e tomou os ornamentos em forma de meia-lua que estavam no pescoço dos seus camelos.
NVI
Zeba e Zalmuna disseram: "Venha, mate-nos você mesmo. Isso exige coragem de homem." Então, Gideão avançou e matou Zeba e Zalmuna, e tirou os enfeites que os camelos deles levavam no pescoço.
Contexto: A morte dos reis midianitas encerra a campanha militar de Gideão — mas é logo em seguida que surgem os primeiros sinais de sua fragilidade como líder.
Jz 8.22,23
RA
Então, os homens de Israel disseram a Gideão: Domina sobre nós, tanto tu como teu filho e o filho de teu filho; porquanto nos livraste da mão dos midianitas. Porém Gideão lhes disse: Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará.
NVI
Os israelitas disseram a Gideão: — Reine sobre nós, você, o seu filho e o seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã. — Não reinarei sobre vocês — respondeu-lhes Gideão — nem o meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês.
Contexto: Gideão recusa formalmente o título de rei — mas, como veremos, suas atitudes posteriores contradizem essa declaração de princípio.
Êx 28.6-14
RA/NVI
Detalha a confecção do éfode — vestimenta litúrgica exclusiva do sumo sacerdote, feita de ouro, linho fino torcido e fios azuis, púrpura e carmesim, com duas pedras de memorial sobre os ombros gravadas com os nomes das tribos de Israel.
Contexto: Estabelece que o éfode era uma peça sagrada reservada unicamente ao sumo sacerdote — o que torna grave o fato de Gideão ter mandado confeccionar um para si mesmo, fora da ordem litúrgica estabelecida por Deus.
Jz 18.31
RA/NVI
A imagem de escultura feita por Mica permaneceu em uso entre os danitas durante todo o tempo em que a Casa de Deus — o Tabernáculo — esteve em Siló.
Contexto: Confirma que Siló era, de fato, a sede oficial e legítima do culto israelita naquela época — o que evidencia que o éfode de Gideão em Ofra era um centro de adoração concorrente e ilegítimo.
Jz 8.27
RA
Desse peso fez Gideão uma estola sacerdotal e a pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ela; a estola veio a ser um laço a Gideão e à sua casa.
NVI
Com o ouro, Gideão fez um colete sacerdotal e o colocou na sua cidade, em Ofra. Todo o Israel prostituiu-se, fazendo dele objeto de adoração, e isso veio a ser uma armadilha para Gideão e para a sua família.
Contexto: O próprio verbo "prostituir-se" — usado na Bíblia para idolatria — mostra a gravidade do que Gideão, sem talvez perceber, provocou em Israel.
Jz 8.30,31
RA
Teve Gideão setenta filhos, todos provindos dele, porque tinha muitas mulheres. A sua concubina, que estava em Siquém, lhe deu também à luz um filho; e ele lhe pôs por nome Abimeleque.
NVI
Teve setenta filhos, todos gerados por ele, pois tinha muitas mulheres. Sua concubina, que morava em Siquém, também lhe deu um filho, a quem ele deu o nome de Abimeleque.
Contexto: Apresenta Abimeleque pela primeira vez na narrativa — sua origem, filho de concubina, entre dezenas de meios-irmãos, já antecipa o cenário de rivalidade e violência que se seguirá.
3
Os Perigos da Liderança

Gideão foi usado por Deus de maneira poderosa, mas suas escolhas finais revelam os perigos do orgulho, da centralização de poder e da negligência espiritual. A Bíblia faz questão de registrar tanto os acertos quanto os erros dos libertadores usados por Deus, a fim de demonstrar que não eram perfeitos e isentos de falhas. Isso nos ensina sobre os riscos inerentes à liderança e a necessidade de constante vigilância, do início ao fim. Devemos tomar cuidado para não sermos seduzidos pelo orgulho, pelo reconhecimento popular e pelo desejo de lucrarmos com aquilo que Deus faz por nós .

Divergências internas e vingança — A queixa de Efraim e a recusa de Sucote e Penuel revelam a desunião crescente dentro de Israel

As falhas de um líder — O éfode de Gideão virou objeto de idolatria; sua estrutura familiar desordenada gerou a crise que se seguiria

Os perigos da liderança — A Bíblia registra os erros dos libertadores para nos alertar sobre os riscos do orgulho e da negligência espiritual

" Subsídio 2 — Um Homem Destruidor
"Professor(a), destaque aos alunos que Abimeleque foi um homem destruidor que queria usurpar para si uma posição reservada somente ao Senhor. Em sua busca egoísta, ele matou 69 de seus 70 irmãos. As pessoas com desejos egoístas procuram satisfazer a si mesmas através de caminhos tortuosos. Examine suas ambições a fim de saber se são egoístas ou voltadas para Deus. Certifique-se que estes meios atendem os seus desejos e são aprovados pelo Senhor."

Use este tópico para promover uma conscientização em seus alunos a respeito deste assunto.
Adaptado de Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 331.
II

Abimeleque, um Líder sem Chamado Divino

1
Um Homem Ambicioso

Com a morte de Gideão, seu filho Abimeleque tenta assumir o poder pela força. O significado do seu nome, "meu pai é rei", sugere que, embora Gideão tenha recusado o título de rei , nutria, talvez, em seu coração, uma inclinação monárquica, refletida em suas atitudes finais. Agora, Abimeleque faz de tudo para se tornar governante. Diferente dos juízes anteriores, que foram chamados e capacitados por Deus para libertar Israel, Abimeleque não foi levantado pelo Senhor, nem buscava o bem do povo. Alcançou poder, mas não tinha graça. Era movido apenas por ambição e sede de poder. Por isso, não é considerado um juiz de Israel, mas um exemplo negativo de liderança egoísta e usurpadora.

2
Um Homem Manipulador

Observe a estratégia de tomada de poder do falso líder:

a. Discurso conveniente: Abimeleque convence os familiares de sua mãe de que seria melhor ter uma liderança centralizada nele do que vários líderes diferentes . Com suas palavras enganosas e manipuladoras, conquista muitos seguidores que promovem sua propaganda entre o povo .

b. Apoio financeiro da falsa religião: Em seguida, obtém recursos para financiar sua campanha de dominação, arrecadando setenta peças de prata de um templo pagão dedicado a Baal-Berite . Assim, o mal se sustenta pelo mal.

c. Recrutamento de desordeiros: Depois, reúne um grupo de homens ociosos e levianos para cumprir suas ordens . Pessoas sem escrúpulos interessadas em lucrar com a situação.

Esse é o retrato não de um líder legítimo, mas de um dominador populista que chega ao poder por meio de estratégias humanas . Essa é a realidade do líder sem chamado divino. Reúne discurso, dinheiro, falsa espiritualidade e seguidores levianos para atingir seus objetivos.

2 Pe 2.3
RA
Também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.
NVI
Levados pela cobiça, tais mestres os explorarão com palavras enganosas. Há muito tempo estão condenados, e a sua destruição não tardará.
Contexto: Embora escrito sobre falsos mestres religiosos, o princípio se aplica perfeitamente a Abimeleque: um líder que usa discurso e recursos religiosos de forma calculada para explorar o povo em benefício próprio.
3
Um Homem Destruidor

O primeiro ato de Abimeleque foi assassinar seus setenta meios-irmãos, com exceção de Jotão, que conseguiu escapar . Seu objetivo era eliminar qualquer possível concorrente ao poder, garantindo para si uma liderança absoluta. Esse ato cruel revela a face sombria de quem busca o poder por ambição pessoal. Para pessoas assim, o outro sempre será visto como uma ameaça; um concorrente a ocupar o seu espaço. Que este sentimento maligno não encontre lugar em nosso meio e em nossos corações!

Um homem ambicioso — Diferente dos juízes anteriores, Abimeleque não foi levantado por Deus, mas tomou o poder por ambição própria

Um homem manipulador — Discurso, dinheiro e recrutamento de desordeiros formaram a estratégia populista de Abimeleque

Um homem destruidor — Matou seus setenta meios-irmãos para eliminar concorrentes; só Jotão escapou

III

A Parábola de Jotão e o Fim de Abimeleque

1
O "Rei Espinheiro"

Após remover seus possíveis concorrentes, os cidadãos de Siquém e Bete-Milo proclamam Abimeleque como rei , porém, não de todo o Israel, pois a monarquia ainda não havia sido instituída. Essa ação mostrava o desejo do povo, fora da orientação divina, de ter um rei. Nessa ocasião, Jotão, o filho de Gideão que sobreviveu ao massacre, proclama uma parábola que denuncia a coroação de Abimeleque . Nesta parábola, primeira das Escrituras, todas as árvores pedem à oliveira, à figueira e à videira para que reinem, mas todas recusam, pois preferem continuar produzindo seus frutos e cumprir sua função. Por fim, oferecem a realeza ao espinheiro, que aceita, mas impõe que, se não o aceitarem de bom grado, ele soltará fogo e destruirá até os cedros do Líbano. As árvores frutíferas representam líderes bons e úteis, que não se deixam seduzir pelo poder. Mas também aponta para o perigo da omissão. O espinheiro representa Abimeleque: inútil, sem frutos, mas perigoso, pois pode causar destruição. Eis o perigo dos "líderes espinheiros", mercenários da fé .

Jz 9.7-15
RA
Avisado disto, Jotão foi, e se pôs no cimo do monte Gerizim, e em alta voz clamou, e disse-lhes: Ouvi-me, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós outros. Foram, certa vez, as árvores ungir para si um rei e disseram à oliveira: Reina sobre nós. Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à figueira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto e iria pairar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à videira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores? Então, todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu e reina sobre nós. Respondeu o espinheiro às árvores: Se, deveras, me ungis rei sobre vós, vinde e refugiai-vos debaixo de minha sombra; mas, se não, saia do espinheiro fogo que consuma os cedros do Líbano.
NVI
Quando Jotão soube disso, subiu ao topo do monte Gerizim e gritou para eles: "Ouçam-me, cidadãos de Siquém, para que Deus os ouça." "Certo dia, as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: 'Seja o nosso rei!'. A oliveira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?'. Então, as árvores disseram à figueira: 'Venha e reine sobre nós!'. A figueira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu fruto, tão saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?'. Depois, as árvores disseram à videira: 'Venha e reine sobre nós!'. A videira, porém, respondeu: 'Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?'. Finalmente, todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Venha e reine sobre nós!'. O espinheiro disse às árvores: 'Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, que saia fogo do espinheiro e consuma os cedros do Líbano!'".
Contexto: A primeira parábola registrada nas Escrituras — usada por Jotão para denunciar, de forma indireta mas contundente, a ilegitimidade da coroação de Abimeleque diante dos próprios cidadãos que o proclamaram rei.
Ez 34.2-4
RA
Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas? Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.
NVI
"Filho do homem, profetize contra os pastores de Israel; profetize e diga-lhes que assim diz o Soberano Senhor: 'Ai dos pastores de Israel que só cuidam de si mesmos! Acaso os pastores não deveriam cuidar do rebanho? Vocês comem a coalhada, vestem-se de lã e abatem os melhores animais, mas não tomam conta do rebanho. Vocês não fortaleceram a fraca, nem curaram a doente, nem enfaixaram a ferida. Não trouxeram de volta as desviadas nem procuraram as perdidas; antes, têm dominado sobre elas com dureza e brutalidade.'"
Contexto: A denúncia de Ezequiel contra pastores que se apascentam a si mesmos é o pano de fundo profético para entender Abimeleque como um "líder espinheiro": alguém que ocupa a posição de cuidar do povo, mas na verdade só cuida de si.
" Subsídio 3 — A Parábola das Árvores
"Professor(a), explique aos alunos que na 'parábola de Jotão as árvores representavam os 70 filhos de Gideão, e o espinheiro fazia o papel de Abimeleque. Este era o objetivo do filho sobrevivente de Gideão. Uma pessoa produtiva estaria muito ocupada se fizesse o bem para querer se aborrecer com os problemas políticos. Por outro lado, uma pessoa imprestável ficaria feliz em aceitar a honra — mas seria destruída pelas pessoas sobre quem reinava. Assim como o espinheiro, Abimeleque não podia oferecer uma verdadeira proteção ou segurança a Israel. [...]

Jz 9.16 - Jotão contou a história das árvores no intuito de ajudar as pessoas a estabelecerem as prioridades. Ele não queria que elas escolhessem um líder sem caráter. Ao ocuparmos posições de liderança, devemos examinar os nossos motivos. Será que buscamos apenas reconhecimento, prestígio ou poder? Nesta parábola, as boas árvores escolhem ser produtivas e prover benefícios às pessoas. Assegure-se de que estas sejam as suas prioridades ao aspirar a liderança."
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp. 332-33.
2
Os Conflitos do Reino

A Bíblia afirma que "tudo o que o homem semear, isso também ceifará" . O mesmo Abimeleque que alcançou o poder por meios cruéis e traiçoeiros acabou recebendo na mesma moeda. Após três anos de governo, Deus enviou um "mau espírito" entre Abimeleque e os líderes de Siquém , gerando desunião e hostilidade. Isso significa que o Senhor conduziu os acontecimentos para cumprir o seu juízo sobre o governante tirano. Assim, aqueles mesmos homens que o haviam colocado no trono agora tramavam a sua queda. Do mesmo modo que Abimeleque, movido pelo orgulho, usou de astúcia para conquistar o poder, Gaal surgiu com estratégia semelhante para voltar o povo contra o governante . Homens que se digladiavam pela ambição .

Gl 6.7
RA
Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
NVI
Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.
Contexto: O princípio da colheita conforme a semeadura é aplicado literalmente à trajetória de Abimeleque: o mesmo tipo de violência que ele usou para chegar ao poder é o que se volta contra ele.
Jz 9.22,23
RA
Havendo, pois, Abimeleque dominado três anos sobre Israel, suscitou Deus um espírito de aversão entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e estes se houveram aleivosamente contra Abimeleque.
NVI
Fazia três anos que Abimeleque governava Israel, quando Deus enviou um espírito maligno entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém, e estes agiram traiçoeiramente contra Abimeleque.
Contexto: O texto citado na lição como "Jz 9.22" refere-se ao início desta unidade narrativa (v.22-23) — é no v.23 que o "mau espírito" mencionado no corpo do texto aparece explicitamente.
Jz 9.26-29
RA
Veio também Gaal, filho de Ebede, com seus irmãos, e se estabeleceram em Siquém; e os cidadãos de Siquém confiaram nele, e saíram ao campo, e vindimaram as suas vinhas, e pisaram as uvas, e fizeram festas, e foram à casa de seu deus, e comeram, e beberam, e amaldiçoaram Abimeleque. Disse Gaal, filho de Ebede: Quem é Abimeleque, e quem somos nós de Siquém, para que o sirvamos? Não é, porventura, filho de Jerubaal? E não é Zebul o seu oficial? Servi, antes, aos homens de Hamor, pai de Siquém. Mas nós, por que serviremos a ele? Quem dera estivesse este povo sob a minha mão, e eu expulsaria Abimeleque e lhe diria: Multiplica o teu exército e sai.
NVI
Nesse meio-tempo, Gaal, filho de Ebede, mudou-se com os seus parentes para Siquém, cujos cidadãos confiavam nele. Sucedeu que foram ao campo, colheram uvas, pisaram-nas e fizeram uma festa no templo do deus deles. Comendo e bebendo, amaldiçoaram Abimeleque. Então, Gaal, filho de Ebede, disse: "Quem é Abimeleque e por que nós, os de Siquém, devemos nos submeter a ele? Não é ele o filho de Jerubaal, e não é Zebul o seu representante? Sirvam aos homens de Hamor, o pai de Siquém! Por que servir a Abimeleque?" "Ah! Se eu tivesse este povo sob o meu comando! Eu me livraria de Abimeleque e lhe diria: 'Reúna mais soldados ao seu exército e venha!'"
Contexto: Gaal repete, contra Abimeleque, a mesma estratégia de discurso persuasivo e conquista de apoio popular que o próprio Abimeleque usara contra os filhos de Jerubaal — o ciclo da ambição se retroalimenta.
Tg 3.16
RA
Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins.
NVI
Pois, onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males.
Contexto: O princípio explica teologicamente o que ocorre entre Abimeleque, os cidadãos de Siquém e Gaal — a ambição desenfreada sempre produz confusão e desordem, nunca estabilidade.
3
O Trágico Fim de Abimeleque

Embora Abimeleque tenha conseguido conter inicialmente a conspiração, sua vitória foi breve. Ao enfrentar a rebelião em Tebes , ele conduziu o ataque para conquistar uma fortificada torre da cidade. Durante sua tentativa de conquistar a torre, ele se aproximou dos defensores que estavam no alto da fortificação e uma mulher lançou sobre a sua cabeça uma pedra de moinho, fraturando-lhe o crânio. Gravemente ferido, o falso rei pediu ao seu ajudante de armas que o matasse, para que não fosse lembrado como alguém morto pelas mãos de uma mulher. Com sua morte, seus seguidores dispersaram-se e voltaram para suas casas. Assim, Deus fez recair sobre Abimeleque o mal que ele havia praticado contra Gideão, ao matar seus setenta filhos, e também fez voltar sobre os homens de Siquém toda a maldade que haviam cometido. Dessa forma, cumpriu-se plenamente a parábola profética de Jotão . Deus conduz o seu povo e obra, e sua justiça é implacável contra aqueles que buscam poder para o próprio benefício .

Jz 9.50
RA
Então, se foi Abimeleque a Tebes, e a sitiou, e a tomou.
NVI
A seguir, Abimeleque foi a Tebes, sitiou-a e conquistou-a.
Contexto: Marca o início do fim de Abimeleque — a última campanha militar de sua trajetória de violência e usurpação.
Jz 9.56,57
RA
Assim, Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que fizera a seu pai, por ter aquele matado os seus setenta irmãos. De igual modo, todo o mal dos homens de Siquém Deus fez cair sobre a cabeça deles. Assim, veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.
NVI
Assim, Deus retribuiu a maldade que Abimeleque praticara contra o seu pai, matando os seus setenta irmãos. Deus fez também os homens de Siquém pagarem por toda a sua maldade. A maldição de Jotão, filho de Jerubaal, caiu sobre eles.
Contexto: O narrador conclui explicitamente que tudo o que aconteceu foi o cumprimento da maldição pronunciada por Jotão na parábola — a justiça de Deus se manifestou, ainda que por meio de eventos humanos.
Sl 37.35,36
RA
Vi um ímpio prepotente a expandir-se qual cedro do Líbano. Passei, e eis que desaparecera; procurei-o, e já não foi encontrado.
NVI
Vi um homem ímpio e cruel florescendo como frondosa árvore nativa, mas logo desapareceu e não mais existia; embora eu o procurasse, não pôde ser encontrado.
Contexto: A imagem do ímpio que floresce e desaparece rapidamente descreve com precisão a trajetória de Abimeleque — poder rápido, queda igualmente rápida.
Mq 3.1-4
RA
Disse eu: Ouvi, agora, vós, cabeças de Jacó, e vós, chefes da casa de Israel: Não é a vós outros que pertence saber o juízo? Os que aborreceis o bem e amais o mal; e deles arrancais a pele e a carne de cima dos seus ossos; que comeis a carne do meu povo, e lhes arrancais a pele, e lhes esmiuçais os ossos, e os repartis como para a panela e como carne no meio do caldeirão? Então clamarão ao Senhor, mas não os ouvirá; antes, esconderá deles a sua face, naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras.
NVI
Então, eu disse: "Ouçam, vocês que são chefes de Jacó, governantes do povo de Israel. Vocês deveriam conhecer a justiça! Vocês que odeiam o bem e amam o mal, que arrancam a pele do meu povo e a carne que envolve os seus ossos. Vocês que comem a carne do meu povo, arrancam a sua pele, despedaçam os seus ossos e os cortam como se fossem carne para a panela, como carne no meio de um caldeirão". Um dia clamarão ao Senhor, mas ele não lhes responderá. Naquele tempo, esconderá deles o rosto por causa do mal que praticaram.
Contexto: Miquéias denuncia líderes que exploram o próprio povo em vez de protegê-lo — o mesmo padrão de liderança predatória personificado por Abimeleque, cujo clamor final não encontrou resposta divina.
Rm 12.19
RA
Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.
NVI
Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor.
Contexto: A justiça que alcançou Abimeleque não veio de vingança humana coordenada, mas da própria mão de Deus agindo através dos acontecimentos — confirmando que a vingança pertence ao Senhor.

O "rei espinheiro" — A parábola de Jotão denuncia a ilegitimidade de Abimeleque; o espinheiro é inútil, mas perigoso

Os conflitos do reino — O mesmo Abimeleque que usou de astúcia para subir ao poder viu o povo se voltar contra ele com a mesma astúcia

O trágico fim de Abimeleque — Morto por uma mulher em Tebes, cumprindo plenamente a maldição profética de Jotão

Conclusão

Embora Deus use pessoas comuns para grandes feitos, Ele também expõe e julga aqueles que distorcem o chamado divino para buscar vantagens pessoais. Vimos nesta lição que o orgulho, a busca egoísta por poder e a negligência espiritual conduzem inevitavelmente à ruína. No final, Deus, justo e soberano, faz prevalecer sua vontade, garantindo que toda injustiça seja confrontada e que seu povo seja lembrado de que a liderança legítima nasce da obediência e do temor a Ele.

REVISÃO

Hora da Revisão

1
O que era o éfode?
O éfode era uma vestimenta sagrada, exclusiva do sumo sacerdote no Tabernáculo (Êx 28.6-14).
2
Em suas palavras, quais foram as falhas de Gideão?
Solicitou parte dos despojos de guerra como recompensa; mandou confeccionar um éfode e o colocou em sua cidade; sua conduta familiar também foi problemática. Gideão teve muitas mulheres e concubinas.
3
Qual o significado do nome Abimeleque?
"Meu pai é rei".
4
Cite os três aspectos da estratégia de tomada de poder de Abimeleque:
Discurso conveniente, apoio financeiro da falsa religião e recrutamento de desordeiros.
5
Na parábola de Jotão, quem representa o espinheiro?
O espinheiro representa Abimeleque: inútil, sem frutos, mas perigoso, pois pode causar destruição.
LEITURA

Estante do Professor

DODD, Brian J. Liderança de Poder na Igreja: O Ministério no Espírito Segundo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
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